Yours words around the world about the film : The Enchanted Words of the Hupd’äh of the Amazon – Masters of knowledge, narrated by Renato Athias

« Oi Renato, assisti todo o filme Les Mots Enchantes da cineasta Mina Rad. O filme trata da cosmologia Hupdah através de imagens de filme, fotografias e conversas com o antropólogo Renato Athias, da UFPE, configurando-se, dessa forma, como uma linda homenagem a um homem que dedicou mais de 50 anos de estudos e militância à esse povo. Logo no início, e também no final, a diretora, de origem persa, atesta o encontro intercultural entre as epistemologias/ontologias (cosmologias?) dos persas e aquela que buscava compreender dos Hupdah, afirmando ambas milenares e assentadas em uma filosofia do ambiente centrada na valorização dos elementos essenciais à vida. O enredo se desenrola em conversas com o antropólogo que, no Brasil, apresenta a região do Alto Rio Negro, particularmente num encontro entre-rios, onde estão as 35 vilas desse povo. Após esse momento, quem assiste é levado a um jardim na França, onde ocorre a conversa em que Renato retoma os três mestres de seu pensamento, posição que lhes foi conferida pelo antropólogo por terem ensinado a base do que sabe sobre aquele povo. Nesse momento no jardim francês, categorias desse povo, como o significado do nome do povo – gente – e como o próprio Renato é chamado por eles – espuma do rio – são apresentadas em entremeio com situações ritualisticas da vida Hupdah. O fio da conversa é a apresentação dos três mestres – Bihit, Mehtiu e Casimiro e como foram importantes para Renato mas, além disso, através da relação entre o antropólogo e cada um dos mestres, adentramos mais profundamente no modo de vida Hupdah. A cena mais forte do filme, descrita por Renato, é a da morte de seu mestre em 1994. O encontro entre a vontade de Renato em oferecer ajuda e a preparação do rito funerário do especialista que estava morrendo (com a sua participação) é evidente. A cena me levou às lágrimas. O filme é, portanto, uma excelente contribuição audiovisual para o campo da etnografia, retomando através da trajetória de um dos mais importantes etnólogos engajados brasileiros a necessidade de se defender a memória de povos que, como vemos na conclusão do filme, estão em processo de transformação, nesse caso, pelo impacto de missionários neopentecostais na região.« 

Traduction 

« Salut Renato, j’ai regardé le film entier Les Mots Enchantés de la cinéaste Mina Rad. Le film traite de la cosmologie Hupd’äh à travers des images de films, des photographies et des conversations avec l’anthropologue Renato Athias, de l’UFPE, se configurant ainsi de cette manière, comme un bel hommage à un homme qui a consacré plus de 50 ans d’études et de militantisme à  ces gens. Dès le début, et aussi à la fin, la réalisatrice, d’origine persane, atteste de la rencontre inter-culturelle entre les épistémologies / ontologies persanes (cosmologies?) Et celle qu’elle cherchait à comprendre de la Hupdah, affirmant à la fois ancienne et basée sur une philosophie de l’environnement centrée valoriser les éléments essentiels à la vie. L’intrigue se déroule dans des conversations avec l’anthropologue qui, au Brésil, présente la région du haut Rio Negro, notamment lors d’une rencontre entre rivières, où se trouvent les 35 villages de ce peuple. Après ce moment, ceux qui regardent sont emmenés dans un jardin en France, où la conversation a lieu dans laquelle Renato reprend les trois maîtres de sa pensée, position qui lui a été donnée par l’anthropologue pour avoir enseigné les bases de ce qu’il sait de ce peuple. À ce moment dans le jardin à la française, des catégories de ce peuple, telles que la signification du nom du peuple – les gens – et comment Renato lui-même est appelé par eux – la mousse de la rivière – sont présentées entre les deux avec des situations rituelles de la vie Hupd’äh. Le fil conducteur de la conversation est la présentation des trois maîtres – Bihit, Mehtiw et Casimiro et leur importance pour Renato, mais en plus, à travers la relation entre l’anthropologue et chacun des maîtres, nous sommes entrés plus profondément dans le mode de vie des Hupd’äh. La scène la plus forte du film, décrite par Renato, est la mort de son maître en 1994. La rencontre entre la volonté de Renato d’offrir son aide et la préparation du rite funéraire du spécialiste mourant (avec sa participation) est évidente. . La scène m’a fait pleurer. Le film est donc une excellente contribution audiovisuelle au domaine de l’ethnographie, revenant à travers la trajectoire d’un des plus importants ethnologues brésiliens engagés dans la nécessité de défendre la mémoire des peuples qui, comme nous le voyons dans la conclusion du film, sont en train de transformation, dans ce cas, par l’impact des missionnaires néo-pentecôtistes dans la région.« 

In english

« Hi Renato, I watched the entire film Les Mots Enchantes by filmmaker Mina Rad. The film deals with Hupdah cosmology through film images, photographs and conversations with anthropologist Renato Athias, from UFPE, configuring itself, in this way, as a beautiful tribute to a man who dedicated more than 50 years of studies and activism to this people. At the beginning, and also at the end, the director, of Persian origin, attests to the intercultural encounter between the Persians’ epistemologies / ontologies (cosmologies?) And the one she sought to understand from the Hupdah, affirming both millennials and based on a philosophy of the environment centered valuing the essential elements of life. The plot unfolds in conversations with the anthropologist who, in Brazil, presents the region of the Upper Rio Negro, particularly in a meeting between rivers, where are the 35 villages of this people. After that moment, those who watch are taken to a garden in France, where the conversation takes place in which Renato takes over the three masters of his thinking, a position that was given to him by the anthropologist for having taught the basis of what he knows about that people. At that moment in the French garden, categories of this people, such as the meaning of the name of the people – people – and how Renato himself is called by them – foam from the river – are presented in the middle with ritual situations of Hupdah life. The thread of the conversation is the presentation of the three masters – Bihit, Mehtiu and Casimiro and how important they were to Renato, but in addition, through the relationship between the anthropologist and each of the masters, we entered more deeply into the Hupdah way of life. The strongest scene in the film, described by Renato, is the death of his master in 1994. The meeting between Renato’s willingness to offer help and the preparation of the funeral rite of the specialist who was dying (with his participation) is evident . The scene brought me to tears. The film is, therefore, an excellent audiovisual contribution to the field of ethnography, resuming through the trajectory of one of the most important Brazilian ethnologists engaged in the need to defend the memory of peoples who, as we see at the conclusion of the film, are in the process of transformation, in this case, by the impact of neo-Pentecostal missionaries in the region.« 

Prof. Dr. Felipe Bruno Martins Fernandes( Brésil ) : 

Grupo de Estudos Feministas em Política e Educação (GIRA)Bacharelado de Estudos em Gênero e Diversidade (BEGD)..

Hebe Mattos (Historienne, UFJF/UFF, Brésil) :

O filme é muito interessante e bom de assistir. Gostei especialmente do encadeamento dos três olhares que o filme reúne: o da realizadora leiga que se encanta por um universo que lhe é distante; o do relato do antropólogo fonte de sua experiência de campo, feito em francês para ela ; e o do filme/registro etnográfico feito em loco propriamente dito. Parabéns pelo filme!Hebe Mattos (Historienne, UFJF/UFF, Brésil)